Um sério problema que
os pediatras enfrentam no seu dia a dia é a infecção urinária (IU),
pois ela é a mais frequente infecção em crianças após a respiratória.
Nas crianças com febre, sem causa aparente, a infecção urinária pode ser
encontrada num percentual de 7 a 8%.
Já nas emergências pediátricas
febris e com sintomas digestivos, o índice de infecção pode chegar a
18%.
Nos primeiros 6 meses de vida, a IU ocorre mais
nos meninos devido ao maior número de malformações congênitas do trato
urinário.
Depois do primeiro ano de vida, o predomínio da IU ocorre nas
meninas.
A incidência de IU nas meninas é da ordem de 3 a 5% e de 1 a
2% nos meninos.
O que é ?
A IU é definida pela presença de
microorganismos na urina em qualquer parte do aparelho urinário.
A
identificação do microorganismo causador da IU é fundamental para o
diagnóstico e o tratamento adequado.
Tanto nos meninos como nas meninas, o agente
mais comum é a Escherichia coli, bactéria da flora intestinal,
responsável por 80% a 95% dos casos de IU.
Segue-se, em ordem de
frequência, estafilococo, proteus e klebisiela.
Mas o trato urinário,
também, pode ser atacado por vírus (adenovírus), fungos, bacilo da
tuberculose.
A principal via de contaminação do trato
urinário é a ascendente.
A partir da flora bacteriana da região
perianal, é que se dá a contaminação urinária.
Somente em infecções
generalizadas (septicemia) pode ocorrer que a via sanguínea seja a fonte
de infecção urinária, mas isto é excepcional.
O que se sente?
Na maioria das vezes, a IU em crianças
apresenta sintomas urinários iguais aos dos adultos: ardência, urgência e
frequência urinária aumentada.
Mas, em muitos casos, podem surgir
sintomas diferentes e a criança apresentar-se irrequieta, irritadiça,
sem fome e emagrecer.
Fica com medo de urinar.
Algumas vezes, ocorrem
sintomas digestivos com dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia,
febre e até icterícia (amareläo).
Raramente, a IU em crianças é sem
sintomas, mas quando isto acontece o diagnóstico fica mais difícil de
ser feito.
Como se faz o diagnóstico?
Quando as queixas urinárias são sugestivas, a
confirmação do diagnóstico de IU se faz pela presença de leucócitos,
sangue e bactérias no exame de urina e bactérias na urocultura.
Para
encontrar as bactérias na urina é necessário coletar uma urina
representativa.
Porém, a coleta em crianças menores de 5 anos é
difícil de ser feita.
Cuidados extremos devem ser adotadas para evitar a
contaminação que pode prejudicar o diagnóstico de infecção urinária.
Há quatro métodos de coleta da urina que podem
ser usados com crianças: jato médio, saco coletor, sondagem (cateter) e
punção suprapúbica.
O jato médio e o saco coletor são de mais fácil
contaminação.
A sondagem é um método invasivo que pode levar bactérias
para o interior da bexiga, restando a punção suprapúbica como o padrão
ouro para a coleta de urina na urocultura em crianças menores.
Após os 5-6 anos, a criança já é mais
cooperativa e o jato médio passa a ser mais utilizado, deixando-se a
punção para os casos de dúvida.
Colher uma urina confiável é
fundamental, porque a presença ou ausência de bactérias faz o
diagnóstico.
Em crianças, a ecografia do aparelho urinário é
obrigatória após o primeiro episódio de infecção urinária.
Com esse
exame, procura-se afastar os fatores predisponentes congênitos e
adquiridos e, principalmente, os obstrutivos.
É importante que se
determine se há malformações e alterações da estrutura funcional do
aparelho urinário.
Para isso, deve-se realizar os estudos necessários,
sejam eles radiológicos, ecográficos e/ou cintilográficos.
Em 30-45% das crianças com pielonefrite, foi
encontrado refluxo vésico ureteral devido a algum defeito congênito ou
adquirido, que resulta em uma válvula uretero-vesical, incapaz de
impedir o refluxo da urina da bexiga para o rim.
Como se trata?
A IU nas crianças deve ser tratada precoce e
intensamente visando à erradicação do processo infeccioso.
Quanto mais
precoce, menos cicatrizes e defeitos estruturais vão ocorrer.
Além do tratamento por antibióticos, a ingestão
de líquidos deve ser abundante, cuidando que as micções sejam sempre
as mais completas possíveis.
Geralmente, o tratamento é feito em casa,
mas crianças debilitadas e com outros problemas médicos devem ser
hospitalizadas para tratamento.
Na infecção repetitiva e/ou com
malformação estrutural, principalmente as crianças com refluxo vésico
ureteral, pode ser necessário tratamentos com medicação antiinfecciosa
por longos períodos.
Em relação aos meninos, a literatura médica
mostra que os não circuncidados apresentam maior probabilidade de
infecção urinária, (10 a 20 vezes mais)
Isso não é uma indicação
generalizada, mas deve ser discutida com o seu médico pediatra,
principalmente se o menino já teve alguma IU e não apresenta outras
alterações anatômicas.
Evolução
As infecções urinárias não complicadas têm uma
evolução boa.
As dificuldades de tratamento e evolução ocorrem mais nas
infecções urinárias complicadas por fatores obstrutivos, doenças
neurológicas (bexiga neurogênica) e no refluxo vésico ureteral.
Numa revisão de crianças que tiveram infecção
urinária, 27 anos após a IU, 23% delas eram hipertensas, 10% tinham
insuficiência renal crônica, 7% eram transplantadas e 3% estavam em
diálise.
Portanto, 43% das crianças evoluíram com uma ou mais
alterações renais importantes.
Devido aos problemas futuros, deve-se fazer o
diagnóstico precoce e tratamento adequado em todos os casos de infecção
urinária em crianças
Bebês podem ter infecção urinária?
Sim.
O nome mais específico é infecção no trato urinário, sistema composto pelos seguintes órgãos:
- os rins, que fabricam a urina
- os ureteres, que levam a urina dos rins até a bexiga
- a bexiga, que armazena a urina enquanto ela não é eliminada
- a uretra, que leva a urina da bexiga até o orifício por onde o xixi sai
Em condições normais, a urina segue esse caminho sem problemas, mas, quando se contamina por bactérias -- que costumam vir da pele em torno dos órgãos genitais, do ânus ou pelo sangue --, pode provocar inflamação e infecção em qualquer ponto do percurso.
- os rins, que fabricam a urina
- os ureteres, que levam a urina dos rins até a bexiga
- a bexiga, que armazena a urina enquanto ela não é eliminada
- a uretra, que leva a urina da bexiga até o orifício por onde o xixi sai
Em condições normais, a urina segue esse caminho sem problemas, mas, quando se contamina por bactérias -- que costumam vir da pele em torno dos órgãos genitais, do ânus ou pelo sangue --, pode provocar inflamação e infecção em qualquer ponto do percurso.
Cerca de 8% das
meninas e 2% dos meninos sofrem pelo menos uma infecção no
trato urinário ao longo da infância.
As infecções
urinárias são fáceis de tratar, mas se não forem debeladas podem causar
danos permanentes aos rins, e até mesmo insuficiência renal.
De acordo
com especialistas, em crianças de até 2 anos a probabilidade de sofrer
sequelas graves é maior que em crianças mais velhas, por isso é
importante diagnosticar o problema o quanto antes.
Como vou saber se meu filho está com a infecção?
Cerca de 5% das
crianças até 3 anos com febre e sem nenhum outro sintoma estão com
infecção no trato urinário.
Como os sintomas são escassos e pouco
específicos, muitos bebês acabam nem sendo diagnosticados.
Em alguns casos, as crianças podem apresentar outros sintomas -- acompanhados ou não de febre --, como:
• Choro ou reclamação na hora de fazer xixi (um jeito de saber se a criança está fazendo xixi naquele exato momento é colocando a mão sobre a fralda. Dá para sentir o quente da urina enchendo a fralda).
• Urina com cheiro ruim
• Urina opaca, turva ou com sangue
• Irritabilidade persistente, sem explicação
• Vômitos
• Falta de apetite
• Emagrecimento ou dificuldade para ganhar peso
• Choro ou reclamação na hora de fazer xixi (um jeito de saber se a criança está fazendo xixi naquele exato momento é colocando a mão sobre a fralda. Dá para sentir o quente da urina enchendo a fralda).
• Urina com cheiro ruim
• Urina opaca, turva ou com sangue
• Irritabilidade persistente, sem explicação
• Vômitos
• Falta de apetite
• Emagrecimento ou dificuldade para ganhar peso
Como a doença é diagnosticada?
O médico vai fazer perguntas sobre os
sintomas que você está percebendo, e vai examinar o bebê.
Talvez
pergunte se há casos de infecções urinárias frequentes na família, já
que o problema pode ser hereditário.
Caso o pediatra desconfie de uma infecção no trato urinário, vai pedir um exame de urina, para tentar detectar a presença de bactérias.
Caso o pediatra desconfie de uma infecção no trato urinário, vai pedir um exame de urina, para tentar detectar a presença de bactérias.
O
resultado é rápido para saber se se trata ou não de infecção: a
presença de um número elevado de glóbulos brancos, em geral, é um forte
indício de infecção urinária causada por bactérias, e essa resposta sai
no mesmo dia.
Depois disso, a mesma amostra de urina normalmente é mantida no laboratório para o exame de urocultura, que tenta identificar exatamente a bactéria responsável pela infecção, e para o antibiograma, que testa a eficácia de diferentes antibióticos contra a bactéria identificada.
Depois disso, a mesma amostra de urina normalmente é mantida no laboratório para o exame de urocultura, que tenta identificar exatamente a bactéria responsável pela infecção, e para o antibiograma, que testa a eficácia de diferentes antibióticos contra a bactéria identificada.
Além do exame de urina, há outros?
Pode ser que o médico peça outros exames.
Existem algumas alterações no trato urinário que podem facilitar a
ocorrência de infecções urinárias, e um deles é o refluxo
vésico-ureteral, situação em que a urina da bexiga volta para os rins.
Os exames extras servem para verificar se há algum problema desse tipo.
Entre 30 e 40% dos bebês que apresentam infecção urinária têm o
refluxo.
Entre os exames que podem ser pedidos estão o ultra-som e uma série de radiografias para detectar o refluxo.
Entre os exames que podem ser pedidos estão o ultra-som e uma série de radiografias para detectar o refluxo.
Qual é o tratamento?
O tratamento da infecção é feito com
antibióticos, na maioria das vezes por boca, por até duas semanas.
Ainda que a criança pareça ter melhorado depois de alguns dias, é
importante dar o remédio até o último dia, conforme a receita do médico,
para que a infecção não volte ainda mais forte.
Se a criança estiver debilitada, pode precisar ser internada para receber o remédio pela veia.
Se a criança estiver debilitada, pode precisar ser internada para receber o remédio pela veia.
Quando a infecção acontece em bebês de
menos de 1 mês, a hospitalização é praxe.
E se meu filho tiver um problema mais sério?
Caso o bebê esteja com uma obstrução no
trato urinário, pode ser necessária uma cirurgia.
Em alguns casos, a
operação também é realizada para corrigir o refluxo vésico-ureteral,
embora na grande maioria deles o problema vá embora sozinho até a
criança ter 6 anos.
Quando é diagnosticado o refluxo, às vezes os médicos receitam antibióticos em doses pequenas para ser usados a longo prazo, para evitar infecções frequentes e eventuais sequelas nos rins.
Quando é diagnosticado o refluxo, às vezes os médicos receitam antibióticos em doses pequenas para ser usados a longo prazo, para evitar infecções frequentes e eventuais sequelas nos rins.
Há algo que eu possa fazer para evitar as infecções?
Certas crianças têm mesmo uma tendência a
sofrer de infecções no trato urinário, mas há algumas medidas que você
pode tomar para reduzir o risco:
• Dê muito líquido ao seu filho. Além de manter o trato urinário em constante atividade, os líquidos ajudam a evitar a prisão de ventre, que pode colaborar para que haja infecções.
• Dê muito líquido ao seu filho. Além de manter o trato urinário em constante atividade, os líquidos ajudam a evitar a prisão de ventre, que pode colaborar para que haja infecções.
• Também para evitar a prisão de ventre, ofereça bastante fibra ao bebê, como frutas, verduras e grãos integrais, quando ele já estiver comendo outros alimentos além do leite.
• Se você está amamentando, mantenha o aleitamento até o bebê ter no mínimo 7 meses. Estudos já mostraram que o leite materno até essa fase protege contra infecções urinárias, e a proteção se mantém até a criança ter mais de 2 anos, mesmo que não mame mais no peito.
• No caso de meninas, não use muito sabonete na água do banho, para não irritar a região vaginal. E sempre limpe a área da frente para trás, quando estiver trocando a fralda, para não levar bactérias do bumbum para a vagina.
Crianças também sofrem de infecção urinária.
E na maioria das vezes ela
não está relacionada a más formações anatômicas, e sim à contaminação
pelas fezes.
Na época das fraldas, por mais que a troca aconteça constantemente, elas podem entrar no canal da uretra e causar a infecção.
O problema é mais comum em meninas, por conta da anatomia.
Os
meninos têm a uretra mais comprida, o que evita a chegada das fezes até a
bexiga.
Por isso, quando as meninas começam a se limpar sozinhas, é
fundamental que os pais ensinem a maneira correta de fazer a higiene, da
frente para trás
Sintomas e tratamento
O tratamento é feito geralmente com antibióticos, e dura, em média, 10 dias.
É importante que, após dois dias do término do tratamento, seja
realizado um novo exame de urina, para verificar se a infecção acabou”,
diz.
Para prevenir novas infecções, não segurar a urina e hidratação fazem toda a diferença.
Para prevenir novas infecções, não segurar a urina e hidratação fazem toda a diferença.
Urina amarelada, densa e com cheiro forte
sugere que a criança não está tomando líquido o suficiente, o que
favorece a proliferação de bactérias.
É um dos problemas mais frequentes em
crianças.
Ao contrário do que acontece com os adultos, uma infecção
urinária numa criança é quase sempre um sinal de uma perturbação mais ou
menos grave do aparelho urinário.
É devida a uma proliferação de bactérias ou
fungos, que passaram do exterior para a urina que está na bexiga.
Daí
esses microorganismos podem infectar o resto do aparelho urinário.
Só se instala quando, por razões muito diversas, a urina não é completamente esvaziada com a micção.
É mais frequente no sexo feminino, pois o meato urinário está localizado perto do ânus e comprimento da uretra é menor do que no sexo masculino. Isso facilita o acesso das bactérias ou dos fungos à bexiga.
Só se instala quando, por razões muito diversas, a urina não é completamente esvaziada com a micção.
É mais frequente no sexo feminino, pois o meato urinário está localizado perto do ânus e comprimento da uretra é menor do que no sexo masculino. Isso facilita o acesso das bactérias ou dos fungos à bexiga.
É, de longe, a mais frequente.
Pode apresentar- se de dois modos diferentes:
• Infecção urinária baixa - cistite
• Infecção urinária alta - pielonefrite
A criança tem dor quando urina, urina muitas vezes por dia, pode ter
perdas involuntárias de urina e a urina tem mau cheiro.
Não há febre e o
estado geral não está alterado.
A análise sumária de urina mostra uma proliferação
de bactérias
A cultura da urina mostra qual é a bactéria responsável pela infecção e qual o antibiótico mais eficaz.
No entanto, os resultados da cultura da urina demoram pelo menos 2 a 3 dias.
Não se deve esperar por estes resultados para iniciar o tratamento.
O tratamento deve ser instituído de imediato,
com um antibiótico reconhecidamente eficaz em infecções urinárias; este
deverá ser substituído caso o resultados do antibiograma mostre que
outro antibiótico é mais eficaz.
A criança deve ser incentivada a beber
bastantes líquidos, pois isso ajuda a eliminar as bactérias do aparelho
urinário.
Uma primeira infecção urinária sem febre e sem outros sinais para
além do ardor ao urinar, frequência elevada de micções e eventuais
perdas involuntárias e urina, não necessita qualquer investigação, para
além da análise e da cultura da urina.
Na maior parte das vezes o problema resulta de um inadequado esvaziamento da bexiga durante a micção.
Isso deve-se a uma incoordenação de funcionamento entre a bexiga e o esfíncter vesical (a”torneira” da bexiga), o que impede o esvaziamento completo da bexiga.
Em alguns casos, pouco frequentes, pode existir um problema orgânico que se manifesta discretamente pela cistite.
No caso de o problema se repetir, é importante verificar se existe algum problema do aparelho urinário que facilite a instalação das infecções.
Para isso deve ser feita uma ecografia dos rins e da bexiga,
como primeira investigação.
É um exame simples, não agressivo, que dá
informações importantes.
Pode mostrar alterações nos rins que
justifiquem uma investigação mais profunda.
Pode mostrar restos de urina
na bexiga depois da micção, indicadora da incoordenação vesico-esfinctérica (ver secção sobre enurese).
Caso sejam encontradas alterações, a criança deve ser orientada para
uma consulta especializada, para completar a investigação e ter uma
orientação terapêutica.
O quadro clínico é exuberante.
Na 1.a infância pode haver febre,
prostração, gemido, irritabilidade, perda de apetite, vômitos,
diarreia, distensão abdominal, diminuição da urina produzida, urina com
mau cheiro.
Nas crianças mais velhas encontramos febre, e outros sintomas variados, como dor
lombar, dor abdominal, ardor ao urinar, micções muito frequentes,
incontinência urinária, perdas de urina ou retenção urinária, sangue na
urina, vómitos.
Em casos excepcionais a cultura de urina pode vir negativa para
bactérias e serem observados fungos.
É uma situação potencialmente
grave, pela maior dificuldade de tratamento
Quando há uma pielonefrite, deve ser realizada, de imediato, uma ecografia dos rins e da bexiga.
Esta ecografia pode orientar-nos para a causa do problema.
As
informações podem ser muito variadas e levar à realização de outros
exames complementares de diagnóstico.

















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