Quase 6 meses depois das meninas terem nascido e eu consegui escrever sobre os dias que ficamos na maternidade.
Foi por pura falta de tempo, mas por coincidência na semana passada, quando enfim consegui começar a fazer essa postagem, nasceu no RS meu sobrinho Gabriel, o que de certa forma me serviu de inspiração pois as memórias vieram a tona.
As meninas nasceram no dia 12 de abril, e nasceram tão bem, fomos todos tão abençoados que não passaram nem perto da UTI, sendo assim ficamos o tempo normal na maternidade, o mesmo que ficamos no nascimento da Mariana, 2 dias, ou seja, até o dia 14 de abril, que foi uma 6ª feira!
Como o parto aconteceu por volta das 8h da manhã em torno do meio dia fui levada para o quarto.
Antes disso fiquei na recuperação com as meninas e o Daniel, ambas foram colocadas no peito, de um jeito meio descômodo e desajeitado é verdade, mas chegaram a ficar no peito ambas ao mesmo tempo, e só de sentir elas perto de mim meu coração batia muito mais forte!!
Nessa hora eu estava naquela fase entre o começar a sentir as pernas e ao mesmo tempo as dores da cirurgia.
Foram feitos os primeiros testes de hipoglicemia nelas, o da Alice devia estar baixo pois ela recebeu fórmula numa seringa, o que significa que o primeiro leitinho que ela tomou não foi o da mamãe!! :(
Depois desses a Sofia deve ter feito mais um ou dois, já a Alice, tadinha, o pé virou peneirinha, no primeiro dia ele era feito de 4/4 horas, no segundo dia ela nem chorava mais a cada picada.
E foi angustiante a situação, a glicose não podia baixar de 40 (40 alguma coisa, era o valor que o aparelho dava), e ela não baixou, mas as vezes ficava muito próxima dos 40 e aí entrava naquele ciclo, Alice precisava mamar mais, Alice dormia, Alice não mamava, Alice ficava mais fraquinha, Alice precisava ser acordada, Alice não acordava, tirávamos toda a roupa dela e nada, e assim aumentava aquela pressão, tensão... Até onde eu sei esse controle da glicemia foi em função do baixo peso dela, 2280 gramas.
Bom, em torno do meio dia fomos para o quarto, eu ainda em jejum, em torno das 14 horas pude ingerir líquidos.
Antes disso tive uma crise de tremores, era um dia bem quente, mais quente do que o esperado para abril, e sendo assim eu estava com calor, e minha pressão chegou a baixar, até começar a sentir frio e pedir uma cobertinha, e em seguida a cobertinha já não dava mais conta, passei a tremer de frio, isso durou alguns minutos. Segundo Dr Diego foi efeito da anestesia.
Depois de algumas horas na cama precisava começar a me movimentar, é um momento difícil de dor e de medo da dor.
No quarto estavam comigo o Daniel e meus sogros, Alfredo e Lorena.
As gêmeas foram colocadas em dois berços e as enfermeiras fixaram um papel com o nome delas, Alice ficou a esquerda e Sofia a direita, e isso não ajudou apenas as enfermeiras mas muito a mamãe aqui!!
Eu estava muito grogue, com dores, cansada, com um decifit enorme de horas de sono que se acumularam nos últimos dias, e estava confundindo as meninas!!
Olhando bem para elas sabia quem era quem, Alice era muito miudinha, seu rosto era do tamanho do meu punho, mas identificá-las ainda não era algo natural, fácil e rápido como é hoje, sendo assim eu precisava de ajuda para saber quem amamentar, quem trocar ... assim como de tempo em tempo enfermeiras perguntavam sobre os xixis e cocos delas, eu nunca tinha certeza quem tinha feito o que e há quanto tempo!!
E meus pés começaram a inchar ...

... e ficaram tão inchados que nada servia nos pés, aliás, eles já estavam muito inchados há algumas semanas antes delas nascerem, com a anestesia só piorou a situação descômoda, cheguei a fazer uma sessão de drenagem linfática, presentinho da minha sogra, pra tentar amenizar o desconforto.
A tarde do primeiro dia foi chegando ao fim e Daniel saiu pra buscar a Mariana na escola, naquele momento ela ficou sabendo do nascimento das maninhas, pois optamos por não contar antes para evitar a ansiedade e para que ela tivesse um dia normal na escola.
Então na escola o Daniel contou a ela e perguntou se ela queria ir ao hospital ver as mamãe e as maninhas que haviam nascido, e ela concordou.
Antes de chegar na maternidade pararam numa padaria para um lanche e para que eu tivesse tempo de tomar um banho e amamentar as meninas de tal forma que pudesse dar um pouquinho de atenção a ela quando chegasse.
Ela chegou e o mais difícil (eu choro quando lembro) foi não conseguir abraçar ela muito muito apertado e pegar no colo (colinho que ela já não ganhava há um bom tempo), na verdade ao me ver ela gritou "mamãe" e agarrou minhas pernas, tentei aguentar a dor e fiz o possível para me dobrar um pouco e abraçá-la da melhor forma que pudesse.
Mas ela não sentiu, não notou muita coisa pois logo quis saber das maninhas ... que momento, que momento lindo, nos emocionamos ao ver a carinha dela, ela não sabia exatamente o que fazer, como reagir.
Também estava curiosa por estar num hospital e queria saber de tudo, olhar tudo ... sentou (e pulou) na cama e quis fazer um lanche usando a mesinha.
Então ela recebeu um dos presentes que as maninhas trouxeram pra ela, brincou um pouco até ser convidada pelo o papai para irem embora.
Concordou imediatamente ... mas pensou que mamãe e maninhas iriam também!!
Foi bem difícil, bem dolorido, pela primeira vez minha pitoca dormiria sem a mamãe, nem sei se doía mais pra ela ou pra mim, creio que pra mim por estar vivendo aquele turbilhão de emoções.
Não teve jeito, saiu corredores afora chorando, ouvi os gritos dela do lado de fora do hospital e depois Daniel me contou que foi porque uma simpática senhora do estacionamento disse a ela que pegaria uma das suas irmãs caso ela não parasse de chorar!!
Em casa não foi muito fácil mas nem tão difícil, o amanhecer do outro dia foi mais complicado, acordar e não ter a mamãe em casa foi o mias difícil e que a fez chegar bem atrasada na escola.
Mas difícil mesmo foi a noite no hospital, normalmente já é difícil, então multiplica!!
Quando uma dormia a outra acordava, tinha coco, tinha xixi, tinha medição da glicose da Alice e toda aquela função que já citei de acordar, amamentar ... mas até aí era só o colostro e foi uma função a noite toda!!
Eu devo ter dormido em torno de 1h, lembrando que a noite véspera do parto já tinha dormido apenas 1h!!
Pés inchados, dores e estava lá, ia escrever "firme e forte" mas não era bem o caso, estava do jeito que dava para estar, mas revesando cuidados com a minha sogra, que também já estava se cansando.
As meninas tomaram a tal "água do parto" e sendo assim começaram a babar fazendo espuminha, fiquei apavorada até uma enfermeira dizer que era normal, mas que precisavámos cuidar pra elas não engasgarem, aff, como relaxar e dormir com isso!?!
Aliás, em função dos meus medicamentos e dos procedimentos com as meninas as enfermeiras entravam no quarto a cada pouco, não havia como dormir, não havia!!
O segundo dia e a segunda noite não mudaram muito disso, aliás, o segundo dia foi muito chato no sentido de que muitas pessoas entraram no quarto, contamos que foi algo em torno de 20 pessoas, e isso que eu nem recebi visitas no hospital!!!
Todas as pessoas que entraram foi por necessidade, afinal foi a pediatra, o obstetra, as enfermeiras, as senhoras da limpeza ... foram feitas injeções, exames da orelhinha ... mas não tem jeito, isso cansa muuuito, por exemplo, resolvi fazer a sessão de drenagem ao meio dia, estava lá, num momento de relaxamento quando meu obstetra chegou e também a enfermeira para dar o banho nas meninas, aí meu obstetra interrompeu a sessão de drenagem e nem uma coisa saiu direito, o banho das meninas foi sendo feito no meio dos pedidos das roupas e etc, aff, me cansa só de lembrar!!
E aí, alguma chance de dormir num dia assim??
Fim de tarde e Mariana quis novamente ir pro hospital, mas foi logo dizendo para o papai que não queria parar na padaria para fazer um lanche, ahh ansiedade!!!
E as cenas foram muito parecidas com da noite anterior, muita dificuldade em tirar ela do hospital, única coisa que ajudou foi dizer que em casa havia outro presente esperando por ela, presente esse que as maninhas deram.
E me desculpem aos "críticos" da nossa atitude mas as vezes é preciso apelar, as vezes a gente faz o que da pra fazer!!!
Para nós também uma noite parecida, mas eu diria um pouco pior pois estávamos muito cansadas, me refiro a mim e a minha sogra.
Eu particularmente tive a sorte de sentir menos dor nessa cesária do que na da Mariana, foi o que me salvou, foi o que me possibilitou passar muito tempo em pé e muito pouco deitada.
Segundo o Dr Diego uma amiga nossa e paciente dele também falou a mesma coisa, e isso pode ser psicológico ou pela forma como a cesária é feita.
Psicológico já que depois de uma primeira cesária esperamos novamente algo horrível, já conhecemos as dores e limitações e então estamos mais preparadas para o que vem, ou pela forma da cesária já que segundo ele o bisturi pode ser usado para cortar todas as camadas ou não, algumas podem ser rasgadas, o que é menos invasivo e talvez menos dolorido.
Enfim, sendo lá pelo motivo que foi o fato é que com certeza senti menos dor, graças a Deus, isso fez muita diferença!!
E chegamos no 3º dia, chegamos na 6ª feira cheios de expectativas para ir embora!!
Tomei um banho logo cedo e fiquei a espera da pediatra e da alta das meninas.
Dr Diego havia me dito no dia anterior que eu estava muito bem e que portanto se quisesse poderia ir embora pela manhã, mas que poderia ficar até a tarde caso quisesse esperar por ele e conversar novamente.
Claro que nos organizamos e viemos pra casa ainda de manhã, verdade que chegamos aqui quase meio dia mas melhor do que metade da tarde em diante.
Em casa não temos a estrutura de um hospital, enfermeiras e socorro por perto, mas nenhum lugar do mundo é o que nossa casa é!!!
Com relação as meninas Sofia deu alta com 2325 gramas e uma solicitação de ultrassom dos rins e vias urinárias, em função da artéria única, isso é padrão, sabíamos que seria pedido e sabíamos que não daria nada!!
Alice deu alta com 2160 gramas.

Para ambas a pediatra pediu que dessemos uma mamadeira de complemento ao dia, Nan ou Aptamil, e conversou comigo sobre isso, disse que era importante ser dado num momento em que eu pudesse descansar, etc, etc, sugeriu usarmos seringa ou copinho para não prejudicar na pega do peito, ou mesmo a mamadeira já que admitiu que foi o que ela usou para o filho dela.
Acho que ela imaginava o que estaria por vir!!



Sônia, uma vez ouvi que somos o que podemos ser e não exatamente o que queremos ser. Eu imagino que na sua cabecinha de mãe voce quisesse fazer tudo mais e melhor para as meninas, mas espero que tenha os olhos abertos pra ver que o que voce consegue fazer é perfeito! Deus sabe mesmo em que porta bater, não conheço casal melhor que vcs para terem a bênção (e as dificuldades) de terem trigêmeas! Saudades!
ResponderExcluirMari amada, obrigada!!! Fácil não é mesmo mas elas nos enchem de alegria, sou imensamente grata a Deus por ter essas figurinhas em minha vida, além de uma família maravilhosa e amigos incríveis!!! Saudades sempreee!!!
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