sexta-feira, 23 de maio de 2014

Denise Fraga!!

No ano passado li numa revista Crescer um texto da Denise Fraga de que gostei, agora acabei o encontrando na página da Crescer do Facebook:



Ela teve a coragem de perguntar: 
“Você acha que eu sou uma boa mãe?”. 
Somos muito amigas, seus olhos brilhavam um pouco e, num show de honestidade, querendo mesmo saber, ela perguntou o que eu sempre quis perguntar, mas nunca consegui fazê-lo assim, tão claramente. 
Quando meus filhos eram pequenos, tudo o que eu queria era uma confirmação, alguma certeza de que eu estava no caminho certo no meio daquele mar de dúvidas que me atormentavam. 
Respondi: “Você é ótima mãe. Mas não se iluda: faz parte de toda boa mãe o sentimento de ser uma péssima mãe”.
Minha amiga é mesmo uma mãe excelente. 
Quem não convive com ela pode ver isso na cara e no jeito de sua pequena.
 Mas não adianta, ser mãe é ter a sensação perene de que alguma coisa lhe escapa. 
É bamba, é sutil. 
São muitas questões e não tem manual, não tem garantia. 
Eu morria de culpa por cada assadura e a coisa mais certa que eu ouvia era: “Siga a sua intuição”. 
Intuição é a segurança máxima que uma mãe pode ter, mas, vamos combinar, coisinha difícil é saber definir se um sentimento é ou não intuição. 
Ainda mais em meio a berreiros de cólicas, noites mal dormidas e dúvidas entre o que diz o pediatra ou sua cunhada. 
Nos xeque-mates da maternidade, há que ter intuição pra saber o que é intuição.
Mas o tempo passa e um dia você começa a ganhar uns bilhetinhos com letras garranchudas: “Para a melhor mãe do mundo”. 
Você chega quase a acreditar que realmente está indo bem. 
Esses papeizinhos viram seus certificados, suas tão almejadas medalhas garantindo algum número de pontos. 
Mas outros dias amanhecem, algumas portas batem, vem um “você é chata, você só reclama!”, seu coração aperta e você cai no limbo de novo. 
Há que ter a autoestima muito inflada para passar imune às chibatadas da síndrome da boa mãe. 
E se há coisa certa nesta trajetória é que não há o certo, que a perfeição é mesmo uma utopia.
Meus filhos cresceram e aos poucos fui me livrando do fardo de tentar ser a melhor mãe do mundo para ser só a melhor mãe que pude ser. 
Não ganhei o certificado, não consegui ser condecorada por Nossa Senhora. 
Acostumei-me ao imperfeito e deixei o amor fluir sereno pelos meus dias de altos e baixos. 
A medalha chega mesmo no dia que um filho seu lhe dá uma dica de total reconhecimento. 
Mas um reconhecimento real. 
Ele te olha e te reconhece como mãe dele, a única possível, a que lhe foi designada. 
Olha você como se já se conhecessem e estivessem previstos nessa configuração mãe e filho. 
Essa sensação, essa epifania, mesmo que por minutos, enche seu peito de medalhas.

*Este texto faz parte da coluna Travessuras de mãe da edição 233 (Abril de 2013) da revista CRESCER

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