No ano passado li numa revista Crescer um texto da Denise Fraga de que gostei, agora acabei o encontrando na página da Crescer do Facebook:
Ela teve a coragem de perguntar:
“Você acha que eu sou uma boa mãe?”.
Somos muito amigas, seus olhos brilhavam um pouco e, num show de honestidade, querendo mesmo saber, ela perguntou o que eu sempre quis perguntar, mas nunca consegui fazê-lo assim, tão claramente.
Quando meus filhos eram pequenos, tudo o que eu queria era uma confirmação, alguma certeza de que eu estava no caminho certo no meio daquele mar de dúvidas que me atormentavam.
Respondi: “Você é ótima mãe. Mas não se iluda: faz parte de toda boa mãe o sentimento de ser uma péssima mãe”.
Minha amiga é mesmo uma mãe excelente.
Quem não convive com ela pode ver isso na cara e no jeito de sua pequena.
Mas não adianta, ser mãe é ter a sensação perene de que alguma coisa lhe escapa.
É bamba, é sutil.
São muitas questões e não tem manual, não tem garantia.
Eu morria de culpa por cada assadura e a coisa mais certa que eu ouvia era: “Siga a sua intuição”.
Intuição é a segurança máxima que uma mãe pode ter, mas, vamos combinar, coisinha difícil é saber definir se um sentimento é ou não intuição.
Ainda mais em meio a berreiros de cólicas, noites mal dormidas e dúvidas entre o que diz o pediatra ou sua cunhada.
Nos xeque-mates da maternidade, há que ter intuição pra saber o que é intuição.
Mas o tempo passa e um dia você começa a ganhar uns bilhetinhos com letras garranchudas: “Para a melhor mãe do mundo”.
Você chega quase a acreditar que realmente está indo bem.
Esses papeizinhos viram seus certificados, suas tão almejadas medalhas garantindo algum número de pontos.
Mas outros dias amanhecem, algumas portas batem, vem um “você é chata, você só reclama!”, seu coração aperta e você cai no limbo de novo.
Há que ter a autoestima muito inflada para passar imune às chibatadas da síndrome da boa mãe.
E se há coisa certa nesta trajetória é que não há o certo, que a perfeição é mesmo uma utopia.
Meus filhos cresceram e aos poucos fui me livrando do fardo de tentar ser a melhor mãe do mundo para ser só a melhor mãe que pude ser.
Não ganhei o certificado, não consegui ser condecorada por Nossa Senhora.
Acostumei-me ao imperfeito e deixei o amor fluir sereno pelos meus dias de altos e baixos.
A medalha chega mesmo no dia que um filho seu lhe dá uma dica de total reconhecimento.
Mas um reconhecimento real.
Ele te olha e te reconhece como mãe dele, a única possível, a que lhe foi designada.
Olha você como se já se conhecessem e estivessem previstos nessa configuração mãe e filho.
Essa sensação, essa epifania, mesmo que por minutos, enche seu peito de medalhas.
*Este texto faz parte da coluna Travessuras de mãe da edição 233 (Abril de 2013) da revista CRESCER
“Você acha que eu sou uma boa mãe?”.
Somos muito amigas, seus olhos brilhavam um pouco e, num show de honestidade, querendo mesmo saber, ela perguntou o que eu sempre quis perguntar, mas nunca consegui fazê-lo assim, tão claramente.
Quando meus filhos eram pequenos, tudo o que eu queria era uma confirmação, alguma certeza de que eu estava no caminho certo no meio daquele mar de dúvidas que me atormentavam.
Respondi: “Você é ótima mãe. Mas não se iluda: faz parte de toda boa mãe o sentimento de ser uma péssima mãe”.
Minha amiga é mesmo uma mãe excelente.
Quem não convive com ela pode ver isso na cara e no jeito de sua pequena.
Mas não adianta, ser mãe é ter a sensação perene de que alguma coisa lhe escapa.
É bamba, é sutil.
São muitas questões e não tem manual, não tem garantia.
Eu morria de culpa por cada assadura e a coisa mais certa que eu ouvia era: “Siga a sua intuição”.
Intuição é a segurança máxima que uma mãe pode ter, mas, vamos combinar, coisinha difícil é saber definir se um sentimento é ou não intuição.
Ainda mais em meio a berreiros de cólicas, noites mal dormidas e dúvidas entre o que diz o pediatra ou sua cunhada.
Nos xeque-mates da maternidade, há que ter intuição pra saber o que é intuição.
Mas o tempo passa e um dia você começa a ganhar uns bilhetinhos com letras garranchudas: “Para a melhor mãe do mundo”.
Você chega quase a acreditar que realmente está indo bem.
Esses papeizinhos viram seus certificados, suas tão almejadas medalhas garantindo algum número de pontos.
Mas outros dias amanhecem, algumas portas batem, vem um “você é chata, você só reclama!”, seu coração aperta e você cai no limbo de novo.
Há que ter a autoestima muito inflada para passar imune às chibatadas da síndrome da boa mãe.
E se há coisa certa nesta trajetória é que não há o certo, que a perfeição é mesmo uma utopia.
Meus filhos cresceram e aos poucos fui me livrando do fardo de tentar ser a melhor mãe do mundo para ser só a melhor mãe que pude ser.
Não ganhei o certificado, não consegui ser condecorada por Nossa Senhora.
Acostumei-me ao imperfeito e deixei o amor fluir sereno pelos meus dias de altos e baixos.
A medalha chega mesmo no dia que um filho seu lhe dá uma dica de total reconhecimento.
Mas um reconhecimento real.
Ele te olha e te reconhece como mãe dele, a única possível, a que lhe foi designada.
Olha você como se já se conhecessem e estivessem previstos nessa configuração mãe e filho.
Essa sensação, essa epifania, mesmo que por minutos, enche seu peito de medalhas.
*Este texto faz parte da coluna Travessuras de mãe da edição 233 (Abril de 2013) da revista CRESCER
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