segunda-feira, 29 de abril de 2013

As mamadas mudam!!

Eu passei por uma espécie de "crise na amamentação" por volta do 2º mês da Mariana e isso em função do bico intermediador de silicone que estava usando.
Quando o peito, que estava machucado, começou a melhorar tentei tirar o bico, tanto por recomendação médica como pela praticidade ao amamentar, só que aí uma certa "confusão" se formou.
A Mariana não queria mamar sem o bico, afinal muito mais fácil com ele.
Passou a brigar com o peito e em muitos momentos nem com o bico de silicone ela queria mamar, o que me fez logo pensar que estava com pouco leite.
Foi uma luta de uns 20 dias pelo menos em que eu insistia em amamentar sem o bico pra ela reaprender a pega mas que sempre me via alguma vez por dia cedendo e dando com o bico pois morria de medo de que ela estivesse passando fome...só que aí eu jogava água abaixo boa parte das outras tentativas de tirar o bico definitivamente!
Foi a pior fase da amamentação que de fato só melhorou e passei a curtir de verdade depois do 3º mês, quando aí já não encucava com mais nada e principalmente, não sentia mais dor!!


A crise dos 3 meses


Por volta de 2-3 meses de idade, alguns bebês tornam-se tão eficientes na mamada que são capazes de mamar tudo o que precisam em 5 ou 7 minutos, algumas vezes em 3 minutos. 
Se ninguém disse isso para a mãe e ela espera que a criança fique no seio por “pelo menos 10 minutos”, ela vai achar que seu filho não está mamando o suficiente, como esta mãe aqui:

"Eu tenho uma filha de 4 meses. Meu problema é que não sei se ela está mamando o suficiente. Ela passa somente 3-4 minutos no peito e eu fico com receio de que ela não está mamando leite suficiente. Quando ela tinha 2 meses, ela mamava por 10 minutos de um lado e 5 do outro e ganhava peso rapidamente; agora ela está caindo na curva de crescimento.
Eu também notei que meus seios não enchem mais como antes, eles chegavam até a vazar!
O que mais me intriga é que nos primeiros 2 minutos ela engole muito leite, bem rápido e e depois começa a tirar a boca do peito e a colocar novamente, sem ficar quieta. Eu tenho que alternar os lados e tentar posições diferentes para ela mamar ao menos 10 minutos. Eu me pergunto se ela faz isso porque ainda está com fome.
Outra coisa que me preocupa é que ela está mamando mais vezes, especialmente de noite. Ela dormia 5-6 horas seguidas de noite, agora dorme no máximo 3-4 horas, até menos.
O pediatra me disse que eu posso começar a dar leite artificial na mamadeira. Já tentei, mas ela não aceita, mesmo que outra pessoa ofereça a mamadeira."

 O caso desta mãe ilustra bem a crise dos 3 meses de idade:

1. O bebê que mamava 10 minutos agora termina em 5 minutos ou menos.
2. Os seios, antes cheios e pesados, agora estão macios e “vazios”.
3. O leite não vaza mais.
4. O ganho de peso do bebê diminui.

Tudo isso é absolutamente normal. 
O engurgitamento das mamas nas primeiras semanas pós-parto não tem nada a ver com a quantidade de leite produzida e sim com uma inflamação temporária que acontece no início da lactação. 
Mamas cheias e vazamento são problemas iniciais, que desaparecem assim que a amamentação está estabelecida.
E a diminuição no ganho de peso, claro, é esperada. 
Os bebês ganham menos e menos peso a cada mês que passa. 
É por isso que as curvas de crescimento são curvas e não retas. 
Entre 1 e 2 meses, uma menina amamentada ao seio ganha tipicamente 400g a 1,3 kg, com a média sendo um pouco acima de 800g. 
Eliminamos o primeiro mês, porque sempre há perda de peso e depois ganho, o que faz a conta final muito variável. 
SE o bebê fosse continuar ganhando peso neste padrão, em 1 ano ganharia 5 a 15 kg, com média de 10 kg. 
Na realidade, durante o primeiro ano de vida, meninas ganham entre 4,5 a 6,5 kg, com a média sendo 5,5kg. 
Em outras palavras, uma menina que ganhou 500g no primeiro mês de vida (alguns podem achar muito pouco, mas na realidade é normal) ganhará menos peso eventualmente. 
Todos os pesos são medidas aproximadas. 
Meninos geralmente ganham um pouco mais que meninas.
Claro que o bebê da mãe do exemplo não aceitou a mamadeira com complemento; ela não estava com fome. 
Infelizmente nem todos os bebês mostram tal controle e, algumas vezes, especialmente se a mãe insiste muito, eles tomam a mamadeira mesmo sem estarem com fome.
Se alguém tivesse explicado a esta mãe o que estaria para acontecer no terceiro mês, ela não teria se preocupado. 
Mas a mudança inesperada deixou-a insegura. 
Mesmo assim, se ela estivesse confiante na própria habilidade para amamentar, ela não teria se estressado. 
A explicação mais lógica para todas as mudanças é “eu tenho tanto leite que minha filha fica cheia em 3 minutos”. 
Mas o medo do fracasso na amamentação é tão incutido em nossa sociedade, que não importa o que acontece, a mãe sempre pensa (ou é convencida a pensar) que ela não tem leite suficiente.
A mãe também se preocupa com outro mito moderno: que as crianças, à medida em que o tempo passa, aprendem a dormir mais. 
Na realidade, as crianças passam mais tempo acordadas quando vão crescendo. 
É verdade que um dia elas dormirão mais horas seguidas e vão começar a dormir a noite inteira, mas dificilmente isso acontece aos 4 meses de idade. 
Entre o nascimento e 4 meses de vida, é mais provável que você observe seu bebê dormindo menos. 
Muitos bebês mamam várias vezes por noite durante os primeiros anos de vida (o que é muito mais fácil que preparar mamadeiras de madrugada, especialmente se o bebê dorme na mesma cama que a mãe).
A mãe do exemplo já começou a forçar a filha a comer. 
É um beco sem saída. 
É fácil deduzir que, a menos que a mãe decida mudar radicalmente seus hábitos, a introdução de sólidos será uma luta.

Retirado na íntegra do livro My Child Won’t Eat, do pediatra Carlos González, recomendado pela La Leche League

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