Desde recém-nascido o bebê já pode dormir sozinho em quarto separado?
Não, nos primeiros meses é aconselhável
que o bebê durma sob supervisão direta dos pais, pois pode haver
problemas de engasgos, vômitos ou regurgitação.
Porém, nunca na cama dos
pais, e sim, ao lado desta, no berço, no carrinho ou até mesmo em um
“moisés”.
Várias pesquisas têm sido realizadas, a
fim de se determinar qual a melhor posição para um recém nascido
dormir: a posição segura, recomendada pela Academia Americana, hoje em
dia, é de supinação (deitado de barriga para cima), por prevenção da
morte súbita.
Sendo completamente desaconselhável deixar o bebê dormir
em pronação (de bruços).
Existe uma relação entre a síndrome da morte
súbita (SMIS) e a pronação.
Qual o melhor momento para acostumá-lo a
dormir só? Como “cortar” o hábito de dormir junto dos pais? E se a
criança chorar no meio da noite?
Desde os primeiros meses, é importante
que o bebê seja acostumado a pegar no sono no próprio berço.
Durante a
amamentação não deixá-lo dormir no colo.
Quando estiver adormecendo,
após ter mamado o suficiente, coloque-o no berço, para que adormeça
sozinho.
Se não mamou o suficiente, tente acordá-lo e ofereça mais leite
e assim que estiver sonolento, leve-o para o berço.
Se o bebê acordar
durante a noite, será mais fácil ele pegar no sono novamente sozinho,
sem a presença da mãe.
Sempre que o bebê ou a criança acordar a
noite chorando ou chamando os pais, não dê muita atenção, vá até o seu
quarto e o tranquilize, sem acender a luz, não brinque ou atenda seus
pedidos.
Com isso, você o ajuda a diferenciar a noite como hora de
dormir e que não terá a sua atenção nessa hora.
A partir dos 6 meses de idade, o bebê
já pode passar a noite toda dormindo sem se alimentar.
Alimente seu
bebê antes de você deitar e se ele acordar durante a noite, conforte-o
com algumas carícias ou uma fala mansinha ao invés de alimentá-lo.
Durante a madrugada, muitas vezes por
cansaço, os pais acabam levando o bebê para a cama deles.
Apesar de isso
ser um consolo imediato e parecer ser o mais simples, acaba criando um
hábito ruim para o bebê e para os pais.
É comum a criança não conseguir
dormir sozinha, cabe aos pais ensiná-los a dormir bem, a criar um bom
hábito do sono.
Se durante a noite a criança sai da cama
e vai até a cama dos pais, eles devem levá-la de volta ao seu quarto,
sem brigas ou argumentações, somente com a autoridade de pais, sempre
dizendo que é lá o seu lugar de dormir.
Desta forma, com o tempo, a
criança entenderá que essas são as regras da casa e o melhor para ela.
Se souber que não será atendida, ao acordar, virará para o lado e
tentará dormir sozinha.
Outra atitude essencial para as noites
tranquilas de sono de pais e crianças é a rotina.
Todos precisam de
rotina, principalmente os pequenos.
Crie um ritual aonde o ambiente da
casa vá se acalmando os poucos até que chegue a hora de colocar o
pijama, escovar os dentes, contar uma história ou cantar uma canção de
ninar e dormir.
Também pode ser dado um banho morno, que pode ser bem
relaxante antes de dormir ou uma massagem com a luz bem fraca.
Evite fazer a criança dormir
embalando-a, pois ao deixar de embalar, o risco dela acordar é grande.
A
criança deve deitar na cama e lá receber os carinhos da mãe.
A partir dos 5 meses, pode-se dar a
criança um bonequinho ou bichinho que será seu companheiro na hora de
dormir, chamado de “objeto de transição”, que a ajudará a se sentir mais
segura.
Há quem defenda que a criança deve ser colocada no berço e deixar que ela chore.
A opção é polêmica.
Existem métodos que prometem condicionar pais e criança em três dias,
com retornos programados ao quarto.
No primeiro dia, a mãe deve deixar a
criança no quarto durante 15 minutos sozinha e só depois ir até ela.
No
segundo dia, o tempo sobe para 20 minutos e, no terceiro dia, para 30.
Muitas vezes esse método pode funcionar, mas depende muito de pai e mãe
estarem dispostos e concordarem entre si.
Em minha opinião, deixar
chorar é necessário às vezes, mas não deve ser drástico.
A
criança não deve associar que dormir é algo muito ruim. Muitas vezes,
basta atender a criança, colocando a chupeta na boca, ou mudando-lhe de
posição ou só tranqüilizando-a, sem retirá-la de sua cama.
O que costuma prejudicar o sono da criança: fome, dor, pesadelo, vontade de ir ao banheiro...? Como evitar problemas deste tipo?
Nos primeiros meses, o bebê tem necessidade de se alimentar
durante a noite, e deve ser atendido para amamentação.
Se a criança é
saudável e a mãe tem leite o suficiente, os períodos de sono vão
aumentando gradualmente à noite a partir do 2º mês de vida.
As cólicas do bebê
também são outra causa de prejuízo do sono.
Elas podem variar muito em
intensidade e duração, mas na maioria das vezes, não persistem além dos
três meses.
A partir dos 6 meses, ela pode passar
a noite toda dormindo, acordam, mas pegam no sono novamente.
É a época
que o bebê está começando a ter suas próprias opiniões, e é a sua última
oportunidade de decidir onde ele deverá dormir, sem que ele dê sua
opinião a respeito.
Por volta dos 9 meses, pode haver uma
fase em que o bebê acorde sozinho no meio da noite, mesmo depois de
passado um período dormindo a noite toda.
O que acontece é que nesta
idade a criança começa a se dar conta da separação da mãe quando acorda
(até então, ela sente que mãe e filho são um só corpo), então se lembra
da mãe e sente saudade.
Se ele estiver acostumado a ser embalado ou
acariciado para dormir, irá querer o mesmo tratamento no meio da noite.
Se ele acordar, espere cinco minutos para que ele durma sozinho, se
atendê-lo, faça com pouca estimulação.
Até 1 ano de idade, a maturação do
sistema nervoso central influencia na determinação dos padrões do sono.
Após essa idade, o sono passa a ser muito influenciado pelos fatores do
ambiente.
Circunstâncias especiais, como doença ou dormir numa cama diferente, podem afetar o padrão de sono da criança.
A partir dos 4 anos, alguns outros
aspectos precisam ser avaliados caso o sono da criança não comece a se
normalizar.
É preciso afastar problemas orgânicos.
O mais comum é obstrução das vias respiratórias superiores, como aumento das adenóides ou rinite alérgica.
Afastadas as causas orgânicas, devemos dar atenção às causas emocionais
ou alterações na rotina da criança: algum problema familiar, separação
dos pais, chegada de um irmão, entrada na escola.
Essas alterações podem
levar as crianças a terem fantasias e pesadelos.
No processo de maturação do sono, a criança pode apresentar alguns distúrbios que podem preocupar os pais.
Entre os problemas relacionados com
sono, apenas 1% são de origem orgânicos e 2% de origem psicológica.
A
grande maioria está relacionada a hábitos errados na hora de dormir, ou seja, depende de como os pais conduzem essa rotina para que as crianças tenham um bom sono.
Mudanças no cotidiano podem
trazer insegurança, como a entrada na escola, mudança de casa, porém
não justifica a ida para o quarto dos pais, e sim, que esses lhe passem
segurança e tranquilidade para que fique no seu quarto.
Em caso de perdas importantes,
como morte ou separação de um dos pais, muitas vezes pode ser
necessário ajuda profissional, se além de não conseguir dormir só, a
criança apresentar distúrbios de apetite e mau rendimento escolar.
Levar
a criança para cama do adulto pode aumentar o sentimento de angústia,
principalmente se o pai ou mãe estiver tentando suprir a falta do outro.
A criança não se sentirá tão afetada pela perda, se o adulto mantiver
os mesmos hábitos de antes do acontecimento, e não projetar nela toda
sua ansiedade.
Por medo, algumas
crianças se recusam a dormir no escuro.
Para os especialistas, luz
apagada é a maneira mais adequada de relaxar, porém é preferível que a
criança durma com a luz acesa a dormir na cama dos pais.
É necessário
que os pais investiguem as razões do medo do escuro e procurem
desassociar o sono do medo.
A mãe tem a tendência de proteger o filho levando-o para sua cama. Isso pode prejudicar o bom sono da criança no futuro?
Um recém-nascido deve ser ensinado a dormir sozinho, da mesma forma como se ensina a comer.
As crianças que aprendem a dormir têm menos problemas afetivos, de aprendizagem e de afetividade.
Há muitos estudos nesse sentido,
principalmente americanos, pois lá nota-se um aumento da incidência do
que eles passaram a chamar de "co-sleeping".
Há dados que confirmam que,
apesar de a criança parecer dormir melhor na cama dos pais, a arquitetura do sono fica prejudicada, isto é, a qualidade do sono é pior.
É importante para o desenvolvimento
psicológico da criança que tenham um quarto só para ela, porque dormir
no quarto dos pais e partilhar a sua intimidade pode trazer um grande prejuízo psicológico na sua formação.
Ao mesmo tempo, é importante que a criança tenha o seu espaço próprio
na casa, que pode ser dividido com irmãos, mas nunca um dos pais ir
dormir nesse quarto, “trocando” com o filho.
O quarto da criança deve
conter tudo o que lhe é íntimo, ser seu espaço reservado para ela
aprender a enfrentar seus medos, frustrações e angústias.
É necessário vivenciar esses sentimentos para que possa crescer com saúde e dentro de sua plenitude de autonomia psíquica.
Há um horário mais indicado para ir para a cama em cada idade? E o cochilo no meio do dia, é saudável?
A regularidade do sono é fundamental para um sono sadio; desta maneira, devemos procurar manter sempre o mesmo horário de dormir e acordar.
Durante o primeiro ano de vida está ocorrendo o amadurecimento do
sistema nervoso.
Por isso o sono dos pequenos tem um padrão próprio, que
vai se modificando com o decorrer dos meses e anos.
Os recém-nascidos não sabem a diferença
entre o dia e a noite. Geralmente comem e dormem durante todo o dia e
noite.
Nesta idade, eles dormem cerca de 16 a 19 horas no dia, durante
duas a quatro horas seguidas e acordam para mamar.
Com o tempo o bebê
aprende a diferença entre dia e a noite, começa a dormir mais durante a
noite e permanecer acordados mais tempo durante o dia.
Sendo que aos
4 meses, os bebês dormem de 9 a 11 horas por noite (intercaladas
com mamadas) e tiram mais ou menos 2 sonecas de 2 a 3 horas
durante o dia.
A partir dessa idade, é importante que se comece a
estabelecer uma rotina à hora de dormir, para que se acostumem a dormir
no mesmo horário, sem traumas.
Quase todos os bebês saudáveis de 6 meses conseguem dormir a noite toda, se foram acostumados com a rotina.
Porém por volta dos 9 meses, a criança que já dormia a noite toda pode voltar a acordar durante a noite e sentir a separação da mãe,
chamando-a.
Cabe a ela acalmá-la e passar-lhe segurança e evitar o
máximo de retirá-la do berço, pois essa fase vai passar.
Eles ainda
tiram 2 sonecas nessa idade, pela manhã e à tarde, que duram de uma a
duas horas.
Com 1 ano , as crianças estão muito preocupadas com as descobertas e com o mundo à sua volta, por isso começam a lutar para não dormir, mesmo estando com sono.
Nesta fase é importantíssimo que já se tenha estabelecido uma rotina
diária, pois irá ajudar a criança a se acalmar para dormir.
Eles podem
dormir de 10 a 11 horas por noite e tirar 2 sonecas de uma a duas
horas durante o dia.
Dos 2 aos 3 anos,
podem ocorrer brigas na hora de dormir.
Eles necessitam de 10 a 13
horas de sono por dia, e as sonecas da tarde vão diminuindo.
A partir daí, o sono noturno alonga-se
progressivamente, de modo que a maior parte das crianças é capaz de
dormir a noite inteira.
Sendo excepcional que uma criança maior
necessite dormir durante o dia.
Os adolescentes dormem de 9 a 10 horas
por noite.
Pode ocorrer sonolência durante o dia devido às atividades
exercidas e por ocorrerem privação do sono necessário nesta idade.
Adultos jovens dormem em média 6,5 horas a 8,5 horas.
Conforme a idade avança, as necessidades de horas de sono diminuem.
Em determinadas idades é mais difícil
fazer com que a criança resolva dormir. Como a mãe deve agir para não
tornar a hora de ir para cama um tormento?
Como dissemos anteriormente, se desde
novinho, o bebê é acostumado com uma rotina na hora de dormir, se os
pais estão firmes da importância de que o bebê durma no seu quarto, e se
passam essa segurança para ele, o hábito está feito e será difícil que
esta criança venha a ter problemas com o sono.
Um das causas da falta da rotina é o
fato de a mãe trabalhar o dia todo fora de casa.
Sentindo-se culpados
por não estarem presentes no dia-a-dia do filho, quando estão em casa,
os pais não conseguem impor limites à criança.
Além disso, uma agenda
cheia de atividades, como aulas de informática, inglês e prática de
esportes, pode gerar estresse e problemas emocionais.