Essa postagem estava há um bom tempo nos rascunhos, há 1 mês mais ou menos, e tanta coisa aconteceu ao longo desse mês, tanta coisa mudou...
Rascunhei na semana em que fiquei de cama, em repouso por conta do sangramento, hoje sei que já havia perdido nosso bebê mas naqueles dias as emoções e angustias eram outras.
Pensei e repensei se deveria publicar esse relato, afinal, já foi, passou, hoje a história é outra!!
Mas aí, depois de reler fiquei pensando na Mariana, no quanto essa semana foi diferente pra ela também embora não tenha noção dos fatos, e por fim resolvi publicar da forma como escrevi naqueles dias!!
A Mariana foi nosso ponto fraco nessa história, nossa maior preocupação.
Minha menor preocupação era comigo mesma, embora quisesse sim ficar bem logo, mas estava fazendo o que estava ao meu alcance, medicada, de repouso e rezando!!
Pensava no Dani que deixou o trabalho por 1 semana para se dedicar a casa e aos seus "3 amores" como ele mesmo tem dito!!
Passava o dia em função da casa, da comida, da esposa e da filha, chegava ao final dele acabadão!!
Pensava no bebê, ou melhor, no nosso minúsculo embrião de 6 milímetros, no quanto queríamos - e queremos - vê-lo crescer e se desenvolver saudável e perfeito.
Mas rezei para que acima de tudo fosse feita a vontade de Deus, porque Ele sabe o que é melhor pra cada um de nós, quando a Sua vontade coincide com a nossa, perfeito, mas quando não, nos resta ter fé e aceitar que assim deveria ser.
E pensava na Mariana, muito na nossa pitoca, que entende mas não entende o que está acontecendo!!
Na 2ª feira, quando ela me viu deitada na cama pareceu gostar da ideia, afinal, mamãe ali paradinha, ela "ia e vinha" e mamãe ali, sem "fugir" pela casa como costuma fazer.
Mas não demorou muito pra essa situação começar a cansar a mocinha, e foi logo na 2ª feira a noite.
O fato é que o lugar preferido dela é a sala, onde estão o sofá, a TV e sua mesinha, é lá que mamãe está com ela em muitas horas do dia, assim como todas as noites depois da janta.
O Daniel explicou - tentou pelo menos - que a mamãe estava com dodói e não podia sair da cama, aí ela me olhava de um jeitinho de cortar o coração e apoiava a cabeça em mim ou na cama e ali ficava como uma filhota abandonada.
Antes de dormir ela foi pra nossa cama para que eu a amamentasse, e aí, quem a tiraria de lá??
Quem a tiraria de junto da mamãe?
Se agora a cama é a nova morada da mamãe, por que não ficar ali também?
E que mamãe nessas condições resistiria em abraçar aquele corpinho carente e fazê-lo dormir juntinho do seu?
Depois haveria tempo para correr atrás do "prejuízo"!!
E assim passou a ser todos os dias, tanto à noite quanto na soneca do dia.
Levá-la em direção ao berço já era motivo de choro e de chamados desesperados pela mamãe!
A 3ª feira foi o dia mais crítico, digamos assim.
Ela que está acostumada a almoçar e depois tomar banho para dormir não ganhou banho, e ainda foi dormir mais cedo, já que o papai a levaria pra natação, porém enquanto fazia a soneca avisaram que não haveria natação naquela tarde.
Assim ela acordou mais cedo e ficou por casa, aliás, diga-se que o tempo não colaborou muito com os passeios da pitoca, foi uma semana de chuva e ventanias.
Em torno das 17h o Dani a convidou pra ir pro parquinho, programa que ama fazer, e eis que ela não fez questão de ir, acabou indo pela insistência do papai.
Contou o papai que brincou sem muita empolgação e que não demorou pra chamar a mamãe choramingando.
Além disso beijava muito o papai, mais do que de costume, numa atitude que nos parecia de carência com alegria, não soubemos explicar, o fato é que ela estava diferente, estava visivelmente diferente.
Ela sabia - sentia e via - que as coisas não estavam na sua normalidade...
por que agora mamãe só fica na cama?
por que mamãe não sai mais pra passear comigo?
por que a mamãe não troca mais a minha fralda?
por que a mamãe deixou de me dar banho, não me serve as refeições e não brinca como antes?
Eram algumas das perguntas que eu imaginava que se passavam pela cabecinha dela, embora não devessem estar formuladas com tal lógica.
No fim de tudo restava uma garotinha se sentindo abandonada pela mamãe, embora essa fizesse o possível para brincar com ela nos arredores da cama e no sofá, onde passou a ser meu segundo ponto de descanso.
Mas acho que para ela a brincadeira nunca era completa, mamãe nunca estava inteira para ela.
Falei que essa 3ª feira foi o dia mais crítico, sim, em torno das 20h eu brincava com ela na cama enquanto o papai começava a arrumar seu banho, aí a vovó Lorena ligou e não sei se numa dessas ela não se sentiu "sem atenção", mamãe na cama e papai ao telefone, o fato foi que começou a se irritar, e de tal forma que precisei pedir pro Daniel desligar o telefone.
A tentativa de levá-la pro banho foi frustrada, nunca havíamos visto ela tão transtornada, chorava, gritava, chutava, dava tapas em nós e nela mesma.
Vimos que levar pro banho seria inviável, então trocamos a fralda usando a força e levando chutes.
Leite, peito e escova de dentes ela não queria nem ver na frente!!
A muito custo parou de chorar e se aninhou perto de mim, quando parecia mais calma ofereci o leite e o peito e os "nãos" gritados recomeçaram.
Enfim mais alguns minutos e aceitou o peito, nada mais, qualquer outra coisa era ofensivo, e então depois de 50 minutos se rolando inquieta na cama enfim adormeceu, sem banho, sem leite, sem escovar os dentes, sem trocar de roupas, ah sim, inclusive dormiu de moletom pois tiramos na hora da troca de fraldas e tivemos que vestir novamente pois assim era o que queria, e fizemos na tentativa de acalmá-la.
Aquela não era a nossa Mariana de sempre, que tem sim seus momentos geniosos mas não daquela forma, ali era visível que ela não estava legal.
Nos demais dias não tivemos mais desses complicados momentos, talvez por ela já estar aceitando o novo quadro, mamãe na cama e papai cuidando dela, quase que exclusivamente.
O papai por sinal fez o que pôde, inventou passeios e programas na tentativa de distraí-la e tirá-la um pouco de casa.
Como já disse o tempo não colaborou muito nessa semana para os passeios ao ar livre, o que os levou a passeios no mercado (ela adora dirigir os carrinhos de compras), no shopping, a tomar sorvete, na feira, no parquinho, na natação.
Nas primeiras vezes ela não aceitava sair sem a mamãe, nas seguintes até beijinhos mandava.
Por fim ela acabou passeando até mais do que costuma fazer com a mamãe, mas essa é uma conta que ela não sabe fazer, ela queria o papai, mas também a mamãe, pois é assim que ela gosta, que se acostumou e que é mais feliz.
Um dia desses decidi que sairia da cama para dar a ela a janta, o sorriso de alegria dela foi impagável e repetia "mamãe da papa Nana!"
Quando eu ia para as refeições ela devia pensar "mamãe saiu da cama, é agora que pego ela" e me puxava pela mão e pedia colo.
Na 6ª feira, dia em que me senti bem melhor, fui até o quarto dela e sentei no chão e lá brincamos, nossa, ela parecia boba, não havia brinquedos nem brincadeiras suficientes, ela queria tudo ao mesmo tempo e ai da mamãe se tentasse sair de lá!!
Chato mas compreensível que em alguns momentos ela não queria o papai mas só a mamãe!!
Assim como em outros ela corria chamando o papai para mostrar suas peripécias.
O que imaginamos é que ela tenha vivido uma mistura de sentimentos ao longo da semana, talvez pensamentos e emoções um pouco confusos.
É minha pitoca, essa foi nossa primeira dificuldade nessa família que agora é de 4, muitas outras emoções ainda estão por vir, muita coisa para acontecer.
Mas juntos iremos superar tudo, cada dificuldade, seja ela grande ou pequena, pois nos amamos e amamos infinitamente nossa joinha precisosa!!
Nunca, jamais vais lhe faltar amor, já falei e repito, o amor do papai e da mamãe não será dividido mas multiplicado!!
Amamos você Mariana!!!