Crianças que nascem nas maternidades geralmente são examinadas por
médicos neonatologistas, mas nem sempre por oftalmologistas.
Por isso, é
fundamental que no 1º ano de vida, de preferência até os 6 meses, sejam encaminhadas para avaliação oftalmológica.
O diagnóstico
precoce de grande maioria dos problemas visuais é garantia quase certa
de evolução favorável.
Detectados tardiamente, porém, exigem tratamentos
complexos aos quais elas nem sempre respondem bem, ou podem ser
irreversíveis.
Essa avaliação deve ser repetida aos 3 anos de idade e mais tarde durante o processo de alfabetização.
Drauzio – Quais são os defeitos visuais mais comuns nas crianças?
Rosana Cunha – A hipermetopia é o distúrbio mais
frequente na população em geral e, em particular, no recém-nascido.
Caracteriza-se pela diminuição do diâmetro ântero-posterior do globo
ocular.
Como consequência, toda criança nasce hipermétrope, porque a
imagem se forma atrás e não na retina onde deveria ser focalizada.
Na miopia, acontece exatamente o contrário.
Drauzio – Você disse que todas as crianças nascem hipermétropes. Como evolui a hipermetropia à medida que elas vão crescendo?
Rosana Cunha – A extensão do diâmetro
ântero-posterior do globo ocular é de 23 mm no adulto, e de 16 mm no
recém-nascido.
À medida que a criança cresce, o olho vai aumentando de
tamanho, o que poderia justificar uma tendência à miopização.
No
entanto, nem todas as crianças ficam míopes, porque existem mecanismos
compensatórios; um deles é o achatamento da curvatura da córnea.
Hipermetropia é o nome dado ao erro de focalização da
imagem no olho, fazendo com que a imagem seja formada após a retina.
Isso acontece principalmente porque o olho do hipermétrope é um pouco
menor do que o normal.
A maioria das
crianças apresenta hipermetropia, pois os seus olhos normalmente são
menores do que o que deveriam ser.
O Hipermétrope geralmente tem boa
visão para longe, pois o seu grau, se não for muito elevado, é corrigido
pelo aumento do poder dióptrico do cristalino, o que chamamos de
acomodação.
Crianças têm um maior poder de acomodação do que os adultos, e suportam
graus muito mais elevados de hipermetropia.
O grau do hipermétrope,
geralmente diminui com o crescimento do olho, e é comum existirem
pessoas que necessitavam de óculos durante a infância, mas que deixaram
de usar óculos na idade adulta.
A Hipermetropia pode estar associada ao
aparecimento de estrabismo acomodativo na infância, com aparecimento
geralmente ao redor dos 2 anos de idade.
Antes do nascimento o exame de pré natal é importante para prevenir
doenças que possam afetar a visão do bebê ainda na barriga da mãe.
Algumas infecções como toxoplasmose e rubéola podem afetar o
desenvolvimento do olho e causar problemas congênitos difíceis de ser
corrigidos, por isso fazem parte do pré natal exames de sangue na mãe
para detectar se ela já teve estas infecções.
As crianças não tem o olho e o sistema visual completamente formados e
maduros desde o nascimento.
Até os 7 anos de idade ocorre o
amadurecimento da visão.
Depois do nascimento, lentamente a criança percebe objetos em
movimento e depois passa a perceber objetos parados e seguir objetos com
o olhar.
Normalmente até os 2 meses de idade a criança começa a
seguir com os olhos focos de luz, até os 6 meses a criança passa a
fixar e seguir estímulos luminosos (acompanhar com os olhos a luz de uma
pequena lanterna, por exemplo).
Sabemos que a visão vai se
desenvolvendo e melhorando aos poucos e que apenas aos 5 anos de
idade a criança apresenta visão semelhante à de um adulto normal (20/20
ou 100% de visão).
Desde o nascimento até o 1º mês de vida é comum que a criança
apresente os olhos um pouco desalinhados (chamado de estrabismo) e isto
costuma parar até o 3º mês de vida porque os músculos que alinham
os olhos e seu funcionamento ainda estão imaturos.
A partir dos 4 a 6 meses de idade a visão do bebê está mais desenvolvida e ele começa e enxergar objetos mais próximos.
Necessidade de usar óculos
Cerca de 80% das crianças são hipermétropes ao nascimento.
Esta
hipermetropia diminui com a idade e costuma se aproximar de zero aos 8
ou 9 anos de idade.
Até esta idade a grande maioria das crianças não
precisa de óculos a não ser que apresente estrabismo ou grau muito alto.
Normalmente os bebês são examinados depois do nascimento ainda na
maternidade e se não apresentarem outro sinal de doença devem ser
examinados perto dos 5 anos.
Algumas crianças apresentam hipermetropia maior, que as vezes causa
desvio do olho (estrabismo) ou cansa a criança quando ela olha objetos
próximos.
É comum ter crianças consideradas hiperativas, mas que na
verdade têm dificuldade para enxergar (geralmente por hipermetropia) e
depois da prescrição de óculos melhoram a atenção, diminuindo sua
"hiperatividade".